Recentemente, o projeto de 1000 seguidores do kat aconteceu, ele tinha o nome "1000 Followers Project" (Projeto 1000 seguidores), e ele tinha 9 desafios de fanfictions. A autora que obtivesse a maior média final, seria a ganhadora. Um dos prêmios era o layout do mês 10 (ou 11, dependendo a velocidade do desafio e da autora com os e-mails), e cá estamos com esse layout (que não vou dizer que é bonito porque seria egocentrismo meu, afinal, eu que o fiz u.u).
Mas, havia algo que estou para compartilhar com vocês. Não, nenhum dos prêmios continha uma entrevista, mas decidi fazê-la com a Ciça (autora ganhadora do projeto, o primeiro lugar) para compartilhar um pouco sobre ela, para que vocês possam conhecê-la (qual é, né, gente, muita gente anda até perguntando o que é Pepper Poison, quando é só abaixar um pouco o blog e ver as informações!). Então, decidi fazer essa entrevista com a autora.
[Deixando bem claríssimo: não era um prêmio, decidi fazer isso quando deu na lata, mas não era um dos prêmios].
Lembrando que todos os links do feat e da autora estão na aba "Pepper Poison" á sua esquerda.
1 — Então, Ciça, antes de tudo, eu queria que você se descrevesse um pouquinho, falasse seu nome, sua idade, essas coisas bem clássicas. O povo precisa te conhecer, né?
R: Tá certo, haha. Bem, oi pra todo mundo, o meu nome é Ciça Anissa (na verdade não é, não, esse é apenas o pseudônimo de escritora, que eu escolhi porque eu gosto de rimas e cedilhas), eu tenho 17 anos e sou de Belém, nascida e criada.
2 — O que você pensa da carreira de escritora?
R: É um caminho árduo, tanto em termos de trabalho quanto de retorno. Por isso eu acho que escreve-se menos para os outros do que para si mesmo, e dá-se a sorte de haver quem goste do que você gosta também, sabe? Eu sempre cito Gonçalves Dias nessas horas, quando ele disse que ficaria feliz se as pessoas gostassem das suas poesias – mas que se não gostassem, ele estaria satisfeito simplesmente pelo prazer de tê-las escrito. E eu acho que a "carreira" é isso: sentir-se imensamente bem fazendo algo que se ama e compartilhar isso com as outras pessoas, que podem ou não gostar, e são grande fonte de afeto, mas não determinantes. De alguma forma, é a carreira mais certa de dar felicidade na vida.
3 — Desde quando você está no ramo das fanfics?
R: Isso depende. Lendo fanfics? Desde que eu tinha oito anos, mais ou menos, e era fanática por RBD. Eu lia histórias criadas por fãs, embora na época eu nem mesmo soubesse que aquilo se chamava "fanfic". Escrevendo? Acho que escrevi a minha primeira fanfic aos onze anos, quando eu já tinha passado da fase de RBD e estava na fase Jonas Brothers (e todas as outras celebridades Disney). Publicando fanfics? Há três anos. Só que quando eu comecei a publicar, não eram mais fanfics, e sim apenas fics. Eu já tinha superado todas as minhas fases de fã e começado a escrever originais. Agora só consigo fazer isso!
4 — O que você gosta de fazer no seu tempo, quando não está estudando/escrevendo/trabalhando/outros?
R: Eu adoro assistir filmes e séries de TV. E também adoro ler. Distopias, literatura fantástica, romance de suspense, mistérios e drama são os meus gêneros preferidos. Fora isso, nos últimos meses eu tenho comprado feito louca uma porção de livros sobre Revolução Francesa e História da Arte. Eu sou obcecada por Revolução Francesa, na verdade! Os meus amigos já não me aguentam de tanto que eu falo sobre isso.
5 — Qual a melhor história que você acha que já criou?
R: Uma fic que tem apenas o prólogo e o primeiro capítulo, chamada Miss Behaved. Quando eu estava tentando decidir qual fanfic eu pediria que fosse o tema do layout do Kat, ficou entre Miss Behaved e Pepper Poison (foram horas de discussão comigo mesma para decidir) e, estranhamente, a razão pela qual eu escolhi Pepper Poison não foi porque fosse a melhor, e sim porque é a que provavelmente mais vai agradar os leitores, porque tem um enredo acessível. A verdade é que, pra mim, Miss Behaved é a melhor. Miss Behaved tem uma linguagem simples, mas trata de um tema que eu considero muito profundo e filosófico, que são as crises existenciais. É quase certo que todo mundo vai achar essa história um tédio, eu admito, mas é a mais bem elaborada que eu já consegui criar, e, entre as publicadas, é a minha preferida.
6 — Você já pensou em ser escritora profissionalmente? Seguiria a carreira?
R: Sim. Não só pensei, como farei. Eu estou escrevendo um livro nesse exato momento – aliás, estou escrevendo um livro há pelo menos cinco anos – que eu planejo publicar através de uma editora e tudo mais. Ainda vai demorar muito pra isso acontecer, porque nos últimos cinco anos eu mesma amadureci muito, e a história do livro amadureceu junto. Várias coisas mudaram, de modo que eu estou começando do zero agora. Mas eu nunca tive dúvidas em relação ao que eu quero fazer da minha vida. Acho que, desde que eu me entendo por gente, eu sempre quis ser uma escritora profissional. É um sonho de infância, pode-se dizer.
7 — Quais você acha que são suas melhores qualidades, e seus piores defeitos?
R: Bem, essa é difícil, mas... Eu diria que as minhas melhores qualidades são a organização (eu sou muitíssimo organizada com as coisas que a meu ver são importantes – roteiros, quadros, metas, datas e informações sobre as minhas histórias estão meticulosamente catalogados em uma pasta, por exemplo, mas o resto do meu quarto é uma bagunça) e a persistência. Eu jamais desisto de algo que eu realmente quero. Agora, os piores defeitos são numerosos, haha. Eu sou muito preguiçosa. Nossa, demais. Se eu pudesse, passaria o dia em casa, comendo biscoito e assistindo TV. Acho que a preguiça é o meu pecado oficial. Mas eu também sou excessivamente autocrítica com tudo o que eu faço, e essa é a principal razão pela qual, muitas vezes, eu não consigo terminar as coisas. Porque nunca acho que está bom o suficiente, e não vejo sentido em continuar enquanto ainda não estiver perfeito. Talvez seja o pior defeito que eu tenho, porque atrapalha a minha vida em 300%, e até agora não me trouxe nada de bom. Por isso os desafios do 1000 Followers Project me ajudaram tanto! Eu fiquei chocada quando consegui terminar todas aquelas one-shots cada uma em uma semana, e mais ainda quando consegui publicá-las mesmo achando que a maioria ainda não estava do jeito que eu queria.
8 — Como você acha que sua vida pessoal / experiências, interferiram na sua maneira de pensar, até mesmo de escrever?
R: Eu tenho 17 anos, então, como diria o The Verve, "sou um milhão de pessoas diferentes de um dia para o outro". As minhas experiências estão constantemente mudando o meu jeito de pensar e principalmente de escrever. Todos os dias eu sinto que não estou escrevendo do mesmo jeito que eu fazia literalmente ontem, o que é engraçado, porque me dá a impressão de que, quando eu concluir seja uma fanfic ou um livro, as pessoas vão pensar que foram vários autores que escreveram a mesma história. Na verdade terá sido apenas eu em meus diversos modos e transições.
9 — Qual foi a maior lição, ao escrever/ler uma fanfic, que você aprendeu?
R: Que não é possível, nunca, jamais, agradar a todos. E também que, se você desagradou à maioria, isso nem sempre significa que o que você fez foi mal feito. Eu já vi fanfics realmente deploráveis fazerem um sucesso imenso, e fanfics maravilhosamente bem escritas não terem nem cinco comentários. Até aquelas que eram muito boas e ganharam a atenção que mereciam, não agradavam todo mundo. A verdade é que isso não importa. E especialmente no que diz respeito ao mundo das fanfics, o importante é você se divertir escrevendo sobre os seus ídolos ou qualquer outra coisa do seu interesse.
10 — Imagino que pelo português ótimo que você tem, você deve ler muitos livros, correto? Faça uma lista entre 5 e 10 livros que você já leu e que recomenda (sejam eles por serem bons na própria cultura, ou literatura, ou então porque lhe tocaram de alguma maneira).
R: Obrigada, e sim, eu adoro ler! Uma lista com dez livros que eu recomendo, em ordem aleatória:
1. O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder
2. O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini (A maioria conhece apenas pelo caráter "você vai chorar ao ler", mas a razão pela qual eu indico é menos a história e mais a maneira como o Hosseini escreve. Ninguém sabe ser poético em prosa do jeito dele. Ninguém.)
3. A Sombra da Guilhotina - Hilary Mantel (Tinha que ter um sobre a Revolução Francesa, não?)
4. A cidade e as serras - Eça de Queirós
5. O Diário de Anne Frank - Anne Frank
6. O Reverso da Medalha - Sidney Sheldon
7. Os delírios de consumo de Becky Bloom - Sophie Kinsella (E toda a saga)
8. A Revolução dos Bichos - George Orwell
9. Harry Potter - J.K Rowling (Toda a saga. Por motivos óbvios.)
10. Poderosa - Sérgio Klein (E toda a saga. Sem palavras para descrever a grandiosidade desses livros e a importância deles na minha pré-adolescência)
11 — Uma perguntinha pra descontrair: se você pudesse ter um superpoder, qual você gostaria de ter?
R: Eu juro que ainda não tinha visto essa pergunta quando indiquei "Poderosa" na minha lista, hahaha. Eu sempre sonhei em ter o mesmo superpoder que a protagonista desse livro, a Joana. Tudo o que ela escreve com a mão esquerda se torna realidade. Acho que seria incrível se eu pudesse tornar as minhas histórias reais – ou simplesmente escrever "Um sorvete de tapioca vai aparecer na minha mesa".
12 — Outra bem descontraída: se você pudesse viver uma vida de qualquer livro que você já leu, qual viveria?
R: Eu acho que qualquer pessoa sensata – a sensatez dos viciados em leitura, é claro, haha – concordaria que, se há uma vida que todos nós gostaríamos de viver, é a de Harry Potter. Ou de qualquer um no universo de Harry Potter, até o personagem secundário mais insignificante. Simplesmente estudar em Hogwarts, eu creio, já seria uma aventura maior do que a que seríamos capazes de viver em toda a nossa vida aqui nessa realidade. Já vi gente ficar deprimida com essa perspectiva, de estar preso nesse mundo real para sempre, e não assistindo à Copa de Quadribol ou tomando cerveja amanteigada no Três Vassouras. É incrível o que a imaginação da J.K pôde causar!
13 — Seus pais sabem que você escreve, assim como o quê?
R: Eles sabem que eu escrevo fanfics e também sabem que eu estou escrevendo um livro, mas eu nunca os deixo ler. Eles respeitam isso completamente, e embora sejam muito capazes de pesquisar o meu pseudônimo (que eles também sabem) na internet e encontrar todas as minhas histórias, eles não fazem isso. Os meus pais representam, para mim, aquele público-alvo que eu só desejo atingir quando tiver alguma produção que valha a pena de verdade, algo muito bem feito. Por enquanto, não sinto esse tipo de segurança em relação a nenhuma das minhas histórias. São fanfics, são apenas para diversão.
14 — Como você conheceu o Kat Fanfics?
R: É uma história engraçada. Eu sou beta-reader em um site de fanfics interativas e um dia recebi um e-mail de um blog novo procurando "designers". Eu não tinha interesse algum em assumir compromisso com qualquer outro site porque ser beta já tomava uma boa parte do meu tempo, mas fiquei curiosa em relação ao conteúdo do blog. Eu nunca tinha visto aquilo antes, realmente não tinha nenhum contato com blogs especializados em capas de fanfics, assinaturas, banners de capítulo e etc. Quando eu conheci esse mundo, fiquei fascinada e comecei a fazer pedidos de DSs pra todo lado. Numa dessas minhas buscas por outros blogs de design, eu acho que encontrei o Kat em uma daquelas abas laterais de afiliados em algum lugar. E cheguei bem no último dia da inscrição para o 1000 Followers Project, que eu achei uma ideia incrível e inspiradora!
15 — O que pensou quando ganhou o projeto?
R: Imediatamente? Não tenho certeza, eu só comecei a pular de felicidade ao redor do quarto, hahaha. Mas de modo geral, fiquei muito, muito feliz por ter ganhado, e um pouco surpresa porque toda vez antes de enviar a one-shot da semana, eu achava que tinha feito um péssimo trabalho e que dessa vez eu ia levar uma nota baixa. Foi a mesma coisa com a última one-shot: bem antes de enviar, e isso quase meia-noite, eu comecei a perceber que tinha uma porção de furos na história e que o final não era muito surpreendente e também não tinha sido bem desenvolvido. Então eu entrei em desespero e acabei enviando assim mesmo, mas tive quase certeza de que eu ia tirar uma nota baixíssima que ia comprometer todas as minhas notas boas de antes. Fiquei muito aliviada que não tenha sido assim. Essa foi mais uma das coisas incríveis sobre o projeto: eu consegui disciplinar um pouco a minha autocrítica. Perceber que às vezes eu preciso simplesmente deixar o texto ir, pois embora eu não esteja satisfeita, talvez ele já esteja bom. Talvez eu precise deixar outra pessoa julgar, já que eu não sou exatamente a melhor juíza da minha própria obra. Nenhum escritor é. Em suma, foi uma experiência bem enriquecedora! Eu só tenho a agradecer ao Kat por isso. :)
Só eu que me identifiquei com alguns pontos? HAHHAAH espero que tenham gostado, pessoal ><
Até a próxima!




Ai que entrevista linda! Já amo essa autora! Vão ter mais entrevistas Clélia? Por favor diz que sim eu adorei essa ideia e tipo nós conhecemos mais das autoras (res) que sabemos tão pouco
ResponderExcluirMe identifico com a Ciça Anissa (amo esse codinome hahaha) em vários pontos - principalmente na parte do "fui louca pelo RBD".
ResponderExcluirAchei super legal essa entrevista, e bem que você podia fazer com mais gente, né, Clélia? Seria tão legal! E faria a gente se sentir importante, *cof cof*. É uma ideia ótima - saber que tem gente interessada em nos conhecer. Por que não faz isso? Seria tão legal *-*
Eu amei a entrevista , amar rbd seguido por Jonas B. acho que é uma coisa muito comun de se ver no passado da maioria das adolescentes ksks achei super legal a auto-crítica que ela faz de si mesma e se auto-julga afinal eu também faço isso na maioria das vezes e a preguiça haha é um pecado crucial na minha vida !Eu simplesmente invejei o português perfeito e o uso de palavras tão diferentes de serem vistas, certamente eu deveria levar esta entrevista a minha professora de português :v Adorei Clélia a sua ideia da entrevista!Você devia fazer isto com mais autoras ..
ResponderExcluir